Março de 1992, nesta data é que podemos marcar o início de nossa cabanha. Foi neste ano num feriado da Páscoa que estive em Santana do Livramento com meus pais, Jorge Sant Anna Bopp e Teresinha Mendes Ribeiro Bopp, para visitar meu já falecido grande amigo, “Vô Ney”.
Ney Cavalheiro Campos, um verdadeiro Gaúcho, proprietário da Estância Santa Clara e do Afixo Galpões. Muito mais que um grande amigo, uma pessoa reverenciada por mim e por muitos até hoje.
Foi este grande homem, que me fez dar os primeiros passos no mundo do cavalo, foi ele que me ensinou a encilhar meu primeiro cavalo, me ensinou a camperear.
Hoje se existe a Cabanha Viamara, com certeza este Homem faz parte da sua história.
Neste mesmo ano, quando eu e meu pai na companhia de Ney Campos fomos até a Santa Clara.Quando lá cheguei, notei a presença de duas éguas palanqueadas em frente do galpão.
Eu não poderia imaginar que estávamos lá, olhando aquelas éguas com o vô Ney, quando ele falou: “Meu rico filho” pois era assim que ele se dirigia às pessoas de quem gostava “escolhe uma delas para ti”.
Era uma égua bragada e uma rosilha. Eu, guri, é claro que escolhi a bragada, e naquela mesma hora eu já daria a primeira campereada com uma égua minha.
Desde então, a paixão pelo cavalo crioulo foi aumentando cada vez mais...
No inicio de 1993 meus pais adquiriram um sitio em Canela, pois até então eu não tinha onde deixar minha égua, que ainda estava em Santana do Livramento.
Em setembro desse ano, meu pai mandou vir de Livramento um caminhão com uma égua para ele, uma para o meu irmão, uma para minha mãe e a minha égua bragada cujo nome era Ágata.
A paixão estava cada vez mais forte dentro da nossa família. Ninguém imaginava até onde isto chegaria.Foi em janeiro de 1994 que adquirimos a nossa primeira égua prenha. Veio lá do Vô Ney também. Era a Antônia dos Galpões.
Em meados de 1994 decidimos trazer os cavalos para Viamão. Aqui, devo um parêntese. Sydia Sant Anna Bopp, esta mulher foi tudo. Minha avó por parte de pai, ela foi avó, foi mãe. Foi tudo para mim e para meus irmãos. Era ela quem mantinha, contra a vontade de todos, o sitio em Viamão, sempre acreditando que um dia pudéssemos aproveitar esta propriedade. E ela estava certa.
Em poucos dias estávamos com a estrutura toda pronta para receber nossos cavalos onde seria a futura sede da Cabanha Viamara.
Foi em agosto deste mesmo ano, que eu fui a Expointer. Lá me encantei por uma égua baia. Por telefone falei com meu pai, então ele me autorizou a fazer o negócio. Eu estava comprando a Ingênua 1152 de Santo Ângelo. Uma baia filha de Trongol Pipilco, sangue chileno.Nossas éguas até então eram todas de sangue cardal, descendentes de Mate Amargo Jac, sangue que na época já estava ultrapassado, pois a linhagem chilena já tinha tomado conta.
A partir daí comecei a me interessar mais, e passei a estudar sobre a raça.Foi nesta primavera, início de outubro de 1994 que registramos nosso afixo. Nascia de fato a Cabanha Viamara.
O nome da cabanha surgiu de um livro que minha Vó Sydia tinha, cujo nome era O Continente de Viamara. Este foi o primeiro nome dado ao Município de Viamão.
Nesta mesma época nasceu o RP: 01 da Cabanha Viamara. Era o Aragano da Viamara, um mouro filho de Antônia dos Galpões.
No final deste mesmo mês, recebemos um convite para participar da exposição de Viamão. Levamos sem pretensão nenhuma a Trinta, égua da montaria do meu pai, e a Ingênua.
A Cabanha Viamara recebeu seus primeiros prêmios em exposições, ganhamos um campeonato, e um reservado de categoria, e um reservado de grande campeão.
Março de 1995. Remate da Cabanha Boeiro Branco, no Jockey Club, em Porto Alegre. Fomos meu pai, meu irmão, meu cunhado e eu. A Cabanha Viamara fez sua primeira compra em Leilão.Meu pai adquiriu três éguas: uma prenha, e com uma linda potranca ao pé e mais duas de montaria.
A Cabanha estava crescendo, o Galpão aumentando cada vez mais. Já tínhamos como idéia adquirir éguas de cria. No entanto, no remate de liquidação da Cabanha da Glória, meu pai se encantou por um cavalo picaço, cujo nome era Guru da Glória. Este foi o primeiro reprodutor da Cabanha Viamara. Saímos deste remate, com o cavalo e mais duas éguas.Sendo que uma delas permanece na Cabanha até hoje.
A história da cabanha vinha se formando. Aos poucos sem perceber, já éramos considerados criadores. Foi em março de 1996 que a Cabanha Viamara realizou a sua primeira grande aquisição: Urubu Rei Tupambaé, cavalo que já havia sido finalista do Freio de Ouro.
Escolhido por mim e pelo meu irmão, Jorge Wilson. Cavalo rosilho, sinceramente, para mim, um cavalo nota dez em termos de função.
Aí não paramos mais. Produtos nascendo, participação assídua na Expointer, no Freio e na Morfologia. Em 1997 minha mãe, em um dos maiores leilões por mim assistido, realizado no Shoping Praia de Belas, adquiriu a égua mais linda que a Cabanha Viamara possui, Açucena Trinta e Três. Oito e tanto de morfologia, vários prêmios morfológicos, e um quinto lugar no freio. Hoje égua chefe na reprodução da Cabanha Viamara.
Já se iam oito anos. Estávamos engatinhando ainda dentro da raça. Mas a cabanha estava presente no Primeiro Bocal de Ouro.Com um casal, Batalha da Escondida e Bandônio da Escondia (um casal de tordilhos).
Que égua, que festa, que emoção! Jamais pensei que em tão pouco tempo de criação, poderíamos chegar nesta conquista. Batalha da Escondida, vencedora do Primeiro Bocal de Ouro, de propriedade da Cabanha Viamara.
Logo depois desta conquista, adquirimos Herdeiro do Itapororó, nada mais nada menos que filho do La Invernada Hornero na Baliza do Itapororó.
Foi com este cavalo, “e que cavalo”, que alcançamos o reservado de grande campeão da FICCC, realizada no ano de 2003 em Montevidéu.
Nosso ano estava apenas começando; pois saímos da Expointer em festa. A Cabanha Viamara, conquistou o Freio de Bronze com Dengosa do Rodeio.
Esta é nossa história, ou talvez apenas parte dela.
E tenho uma coisa bem certa: Cavalo Crioulo; isto é paixão, amizade, companheirismo. É um mundo que só não gosta quem não conhece ou dele não faz parte.
Paulo Augusto Mendes Ribeiro Bopp