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LAMINITE
Henrique R. Noronha
19/07/2007
A laminite ou “aguamento”, como é popularmente conhecida, é um processo inflamatório que acomete o tecido laminar dos cascos, normalmente nos membros anteriores, mas podendo atingir os quatro membros ou mesmo apenas um membro. É uma das mais sérias e mais freqüentes perturbações músculoesqueléticas que acomentem o casco dos eqüinos.
A causa da laminite ainda não foi determinada, porém, diversos fatores de risco, que podem ser variáveis, produzem alterações isquêmicas nas lâminas dérmicas e no córion laminar do casco, que parecem ser o “start” para o aparecimento da doença em várias espécies domésticas. Estes fatores seriam, distúrbios do trato digestivo como “cólicas”, diarréias, alimentação com quantidade exagerada de grãos (ração), traumatismos associados a concussão excessiva dos cascos, excesso de trabalho, transporte ou ficar “em pé” por longo tempo, sendo também ligado ao tipo de solo (duro).
Uma das mais frequêntes causas, é a ingestão súbita de grande quantidade de alimentos densos, palatáveis e ricos em energia, tal como grãos de cereal (ração).
Teóricamente, a laminite é dividida em fase aguda e crônica, sendo a primeira fase a mais importante para um tratamento de sucesso, pois ainda não aconteceu a rotação da terceira falange (distal).
Os sintomas da laminite por grãos surgem normalmente de 12 a 18 horas após a ingestão dos grãos. Após este período, aparece a laminite, diarréia, toxemia, tremores musculares, aumento da pulsação e respiração, com uma elevação variável da temperatura.
A forma aguda da laminite caracteriza-se pelo aparecimento brusco dos sintomas, predominando os sinais de locomoção penosa e lenta devido a dor. Quando os dois membros anteriores estão afetados, o animal adota uma atitude característica com extensão dos anteriores, apoio em talão, avanço dos posteriores, deslocando o eixo de gravidade do corpo para trás, dando a impressão de que vai cair “sentado”.
A rotação da terceira falange é um dos principais problemas associados a laminite crônica. Após a necrose isquêmica, agrava-se o rebaixamento e a rotação da falange distal, que praticamente perde a relação de sustentação com o córium laminar. A falange distal sofre ação do tendão extensor digital comum, compressão da sola no sentido ventro-dorsal e tração de tendão flexor digital profundo, alterando sua relação de paralelismo com a muralha do casco.
O diagnóstico é relativamente simples, visto que a atitude típica do animal, a pulsação aumentada das artérias digitais, o calor no casco e a dor evidenciada pela pinça dos cascos, na fase aguda, fornecem provas adequadas de laminite. Já a laminite crônica é evidenciada pelas alterações características na pata e um andar típico. Em diversos casos, a causa é difícil de ser determinada. Seja qual for a situação, a laminite sempre deve ser considerada uma EMERGÊNCIA MÉDICA, sendo que o sucesso do tratamento está diretamente ligado ao tempo em que o tratamento foi iniciado, devendo ser sempre antes do inicio da rotação da terceira falange, nas primeiras 12 horas após o surgimento da claudicação.
Antiinflamatórios não esteróides são largamente utilizados, estes objetivam a eliminação da dor, o que constitui um importante estímulo simpático agravante da hipertensão, da formação de “shunts” arterio-venosos e da vasoconstrição podal.
Somado as terapias medicamentosas, recomenda-se o uso de equipamentos que venham a auxiliar na melhora da perfusão sanguínea do membro afetado e para impedir ou corrigir o rebaixamento e a rotação da falange distal, estes equipamentos são ferraduras em forma de coração, palmilhas de compressão de ranilha, ou ainda o gessamento de apoio dos membros.
Existe uma nova forma de tratamento auxiliar, que consiste na utilização de placas de isopor de alta densidade, onde uma placa com o tamanho aproximado do casco é colocada sob a sola e fixada com “silver-tape, fundindo um molde de impressão negativa. Esta porção deve ser recolocada, e uma nova placa como a primeira é colocada abaixo, e ambas fixadas com “silver-tape”. Esta segunda placa deve ser substituída de um a três dias, até que desapareçam os sinais de dor e possibilidades de rotação da terceira falange, o tempo de troca das placas deve ser determinado pelo estado de conservação em que se encontram e pela amortização da dor que devem proporcionar quando em bom estado.


Henrique R. Noronha
Médico Veterinário
Sócio diretor da Pampa Produtos Veterinários.
henrique@pampacomercial.com.br



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