CAVALO COMPLETO Quando e como começou a Cabanha Maufer e essa paixão pelo Cavalo Crioulo?
CLAUDIR WEIAND Acompanho o cavalo crioulo nas provas do Freio de Ouro desde 1985, mas devido a minha profissão na área da indústria, não tive muito contato com as atividades do campo. Em agosto de 1988, meu irmão me convidou para uma cavalgada de Cruzeiro do Sul/RS até nossa fazenda em General Câmara, hoje município de Vale Verde. Decidi que faria esta cavalgada num animal da Raça Crioula. Tomada a decisão, fui para a Expointer escolher um animal no tradicional remate da raça. Entre os animais que foram a leilão escolhi uma égua baia, cabos negros, primeiro prêmio de categoria, Percanta Guaçú. Em outubro de 1988, ao fazer a cavalgada montado na minha primeira égua crioula, Percanta Guaçú, tive a oportunidade de conhecer o sitio do amigo Nelson Jacques, grande tradicionalista da região. Neste dia, embriagado pelo clima da cavalgada, pela beleza da natureza, pelo churrasco sendo assado embaixo das árvores ao lado do açude, observando alguns cavalos sendo ferrados no momento da saída e o convívio com os amigos, me fez tomar a decisão: “Quero que estes momentos façam parte da minha vida e dos meus filhos”. Na mesma semana iniciei a procura por uma propriedade, conseguindo adquirir a sede da Cabanha Maufer em abril de 1989, em Cruzeiro do Sul. O nome MAUFER é uma homenagem aos meus dois filhos, Maurício e Fernando, nome originado da união das três letras iniciais dos seus nomes. Em 1988, ao terminar a cavalgada, coloquei a Percanta Guaçú com o cavalo BT Salitre, sendo que sua primeira cria, Herdeiro 01 Maufer, nasceu baio e aos três anos de idade já foi primeiro prêmio de categoria na Expointer e neste dia o alemão Gilberto me disse: “Mas tchê, esse teu baio é tordilho!” Depois vieram outros animais que nos deram muitas alegrias, mas mencionando somente o afixo Maufer tivemos a gateada Imperatriz 06 Maufer, várias vezes Grande Campeã em exposições e Freio de Prata em 1995; o tordilho Oigalê 77 Maufer (domado com Bocal de Ouro como canta o Joca Martins) vencedor da credenciadora da São Rafael, Bocal de Ouro em 2003 e 3 vezes finalista do Freio de Ouro; a colorada Prenda 100 maufer, Freio de Prata em 2004; a gateada Retovada 146 Maufer vencedora da credenciadora da São Rafael; Rótulo 154 Maufer também vencedor da credenciadora São Rafael e oitavo colocado no Freio de Ouro 2006; Timbaúva 213 Maufer, quarta colocada no Freio de Ouro 2006. São 18 anos de paixão pelo cavalo Crioulo, como criador, período de constante aprendizado e conquista de grandes amigos!
CAVALO COMPLETO Hoje, a Cabanha Maufer é uma força muito grande dentro da Raça, fruto de uma seleção rigorosa. Quais foram os critérios usados desde o início da criação nos cruzamentos?
CLAUDIR WEIAND Desde o início da criação buscamos incansavelmente, os melhoramentos genéticos, morfológicos e funcionais do afixo Maufer, e da Raça Crioula. Adquirimos matrizes dos melhores criatórios da raça. Hoje estamos trabalhando com 230 matrizes e com garanhões das mais variadas linhagens, sempre na busca constante do aprimoramento genético.
CAVALO COMPLETO Quantos garanhões a Cabanha dispõem no seu plantel? Sabe-se que são vários, mas sempre temos o “mimoso”. Sem querer desmerecer nenhum. Qual seria o preferido?
CLAUDIR WEIAND Estamos hoje com 16 reprodutores, entre eles também três reprodutores de afixo Maufer. Por ordem alfabética: BT APACHE: sangue Compadron Charque em mãe Charque Arenal; BT BAILONGO: sangue Hornero em mãe Charque Armada; BT DELANTERO: Chileno puro, sangue Hornero em mãe El Ideal Asi Guarda; BT FACEIRO DO JUNCO: sangue Hornero em mãe BT Querela que vem a ser BT Engano e Sorro Campeiro; COMUNISTA DA BOA VISTA: Chileno puro, sangue Hornero em mãe de sangues La Invernada e Sendero; ESPLENDOR DA CAROVY: Chileno puro, sangue Hornero, Estribillo; FANDANGO DO HV: sangue Nobre Tupambaé em Idahue Sandra que é a mãe que mais colocou filhos no Freio de Ouro; HERDEIRO 01 MAUFER: sangue Hornero, Sorro campeiro e Peteriby Cardal; LA FRONTERA TORMENTO: Chileno puro, sangue Taco; MAÑANERO JALISCO: sangue ¾ chileno Estribillo e Huilla, Los Troncos Negra Linda que é a mãe de Butiá Jaguar e La Cueca Ambiciosa que é a mãe de San Baldomero Puestero e Dormido Zapateado; MUCHACHO DE SANTA ANGÉLICA: Chileno puro, sangue Señuelo que é Taco em mãe Huila; NOCHERO CHISPERO: Chileno puro, sangue Esperando, Estribillo, Huila, Campanário; OIGALÊ 77 MAUFER: sangue BT Favorito que é Hornero em mãe Del Oeste Plumero; RÓTULO 154 MAUFER:sangue Nobre Tupambaé que vem a ser Hornero em sangues Sendero Imprudente e Aniversário; San Baldomero Puestero: Chileno puro, sangue Zapateado em La Cueca Ambiciosa com sangue Campanário; SANTA ISABEL CALAMAR: Chileno puro, sangues Escorpion, Estribillo, Despunte, Taco.
Com relação ao mimoso é complicado falar, mas o reprodutor que mais usamos é o Mañanero Jalisco, que no nosso entender é um cavalo excepcional.
CAVALO COMPLETO Se hoje um Criador novo na Raça Crioula, chegasse para o Senhor e perguntasse: Claudir Weiand, qual o segredo para o sucesso no mundo do Cavalo Crioulo? Que dica o Senhor daria para este criador?
CLAUDIR WEIAND Diria que é muito importante iniciar com calma. O que acontece muito, e eu também, passei por isso, é no início nos empolgarmos e adquirirmos animais que logo depois teremos que nos desfazer. A nossa vida é muito curta para entendermos tudo do cavalo crioulo, portanto não é com precipitação que vamos construir um trabalho bem feito, um trabalho de sucesso. Sempre tento passar isso para os criadores mais novos, o que é bastante difícil de ser captado, pois na real, quando a paixão pelo cavalo desperta, é difícil de segurar.
CAVALO COMPLETO O que significa para Claudir Weiand, esta paixão chamada Cavalo Crioulo?
CLAUDIR WEIAND Hoje para mim e meus filhos, significa tudo! Fora da nossa atividade principal, que é a indústria. Tudo gira em torno do cavalo crioulo. Nossos finais de semana são na cabanha, na fazenda ou participando de provas de paleteada ou Freio de Ouro. O cavalo crioulo para nós traduz paixão, sonhos, vitórias e principalmente fazer e solidificar amizades, o ponto forte da nossa raça.
Porto Alegre, 02 de janeiro de 2007
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